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Passe de Rutura Emocionante...




Passe de Rutura está prestes a chegar aos 2000 gostos no Facebook (1999 atualmente) e por isso aproveitei para voltar a escrever para os nossos seguidores e para mim também! 

Somos seres emocionais, que reagimos internamente a estímulos e por isso quando este blogue atingir os 2000 gostos certamente que a reação será de felicidade e orgulho. Vai gerar por isso uma emoção positiva que se somarmos a isso alguns comentários de incentivo ou likes aumentará com certeza a nossa vontade de escrever, de dinamizar cada vez mais o blogue, que faz sentido continuar com este projeto. 

O que são emoções? Qual a importância das emoções? O que é que as emoções tem a ver com treino de futebol? 

Um dos neurocientistas mais reconhecidos do mundo, António Damásio, diz o seguinte numa entrevista: (http://www.fronteiras.com/entrevistas/antonio-damasio-o-homem-esta-evoluindo-para-conciliar-a-emocao-e-a-razao)

- A emoção é um conjunto de todas as respostas motoras que o cérebro faz aparecer no corpo em resposta a algum evento; 

- As emoções são em grande parte inatas, mas nos primeiros anos de vida são condicionadas e sintonizadas com a sociedade;

- O ponto ideal para a efetividade do raciocínio é a felicidade com uma ponta de tristeza — porque na euforia, o pensamento se embaralha;

- É possível recondicionar os sentimentos já na vida adulta? É possível, porém é muito mais difícil e nem sempre é um trabalho bem sucedido. Se você tem uma pessoa que começou a vida como um sociopata, é extraordinariamente difícil tornar essa pessoa um ser normal em relação a comportamento social. Isto porque seria necessário fazer todo o processo que se faz numa criança, mas o paciente já tem autonomia para não aceitá-lo.

Como transporto este conhecimento para o Futebol? 

A primeira mensagem é que nós temos uma janela de oportunidade nas etapas de iniciação/formação para emocionar as crianças para o prazer do jogo, para a competição do jogo, para o ensino do jogo que nós idealizamos, e portanto para aquilo que nós consideramos que é a nossa visão de desporto, treino e jogo. Será a repetição de estados emocionais através da palavra, gestos, exercícios, comunicações que vão dar uma “personalidade” futebolística ao atleta. Não tenho dúvidas nenhumas que os treinadores e a maioria dos jogadores que compuseram o plantel do Barcelona de Pep Guardiola tinham o mesmo “ADN” porque esses treinadores e esses jogadores foram em parte formados sobre a mesma visão, e que isso facilitou o aparecimento e sucesso daquele estilo de jogo que tantas pessoas apreciaram.

Segunda, nós construímos a nossa personalidade (sentimentos, valores adquiridos em sociedade) através das emoções vividas repetidamente nos nossos primeiros anos de vida, mas aqui, agora, neste momento tu dependes muito mais das emoções e do conhecimento do que da tua personalidade. Estou a escrever e sinto-me bem porque escrevo sobre algo que me dá reações positivas no organismo. No treino, no jogo, na tua comunicação, o momento fala sempre mais alto, por isso a necessidade de sermos positivos, de reforçarmos com convicção as nossas ideias de treino, de sermos inteligentes na construção de treino ou da palestra de jogo para potenciar um determinado estado emocional e não esquecermos que por vezes uma frase ou qualquer acontecimento mais negativo pode “matar” uma equipa ou um jogador naquele momento. 

Terceiro, quando chegamos à idade adulta, portanto nas equipas de juniores e seniores, todos os envolventes do grupo já trazem conhecimento de jogo semelhante ou diferenciado, já trazem uma personalidade própria, semelhante ou diferenciada. Na minha opinião nesta fase, a importância de modelar o jogo, “emocionar” o treino com as nossas ideias, criar exercícios que “emocionem” e promovam sucesso à nossa ideia de jogo, fazer acreditar através das palavras, emocionando positivamente, torna-se ainda mais fundamental para que, naquele ambiente, naquele espaço, naquela equipa, qualquer elemento do grupo, seja o que tem mais afinidade com a ideia seja o que tem menos, perceba que ali, naquele preciso momento, o que estamos a fazer está correto.

Por último, quanto maior a afinidade entre emoção e razão/conhecimento/sentimento, maior a probabilidade de sucesso. Olhando, por exemplo para aquilo que foi Zidane como jogador, facilmente se percebia que talvez o seu ideal de jogo como treinador do Real Madrid fosse um jogo de ataque, com jogadores ofensivos, com uma ideia de jogo em ataque organizado. Tentou isso e deu-se mal inicialmente, mas rapidamente as suas emoções de insucesso associadas ao conhecimento adquirido como jogador e treinador, não fizeram com que se desviasse completamente da sua ideia de jogo, mas ajustou essa ideia à emoção vivida de insucesso, colocando Casemiro, colocando Isco, colocando variabilidade entre ataque organizado e rápido. Isto é, aproximou a sua “personalidade” futebolística ao momento emocional vivido, porque o que nós queremos é sucesso, são ambientes positivos e não negativos! Rafael Benitez não pensou nisso ou não teve conhecimento para reverter a situação.

Portanto, teremos um grupo mais positivo, alicerçado em valores comuns, teremos um treino mais evolutivo, uma ideia de jogo mais consistente, se em cada momento colocar-mos ações (palavras, exercícios, gestos, brincadeiras) que gerem emoções que potenciem tudo isso. E vitórias!

Obviamente que o treinador é o agente com maior responsabilidade em todo este processo!



Cláudio Costa

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