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Sporting Vs Benfica - A Minha Opinião Tática do Derbi

O último Sporting – Benfica foi sem dúvida um jogo de emoções fortes, equilibrado e onde a estratégia/plano antes e durante o jogo foi sem dúvida muito importante para este jogo extremamente competitivo.

Neste sentido resolvi fazer a minha interpretação tática ao dérbi.

Em primeiro lugar acho que Rui Vitória apresentou o melhor plano de jogo dos três jogos que já realizou contra o Sporting, ao colocar um meio-campo de três jogadores com maior capacidade em ter a bola (Samaris, Talisca e Gaitan) e um deles com grande capacidade para dar mobilidade ao setor médio (Gaitan). Equilibrou as forças no meio campo e deu-lhe capacidade de circulação de bola. O facto de ter sido dominado no setor médio no jogo para o campeonato, onde o Sporting provocou grande superioridade nessa zona e onde para mim foi a chave do jogo (André Almeida/Samaris Vs William, Adrien, João Mário, Ruiz, Teo em constante jogo interior), fez com que o treinador alterasse a estrutura/sistema mais usado pelo Benfica este ano. Já o tinha feito na Supertaça e bem, mas para mim não foi com as peças certas (Samaris, Fejsa, Talisca no setor médio = pouca mobilidade e criatividade; Gaitan, Pizzi e Jonas no setor ofensivo = pouca profundidade e pouca largura/velocidade).

Por isso no jogo de Sábado, a mobilidade de Gaitan no centro do terreno em diagonais constantes sobre os corredores laterais e a criação de superioridade no setor médio com Pizzi, provocou grande dificuldade ao meio-campo do Sporting porque deixou William indeciso nos deslocamentos defensivos (acompanhava ou não os deslocamentos variáveis de Gaitan) e obrigou Adrien a esforço redobrado na pressão ao meio-campo do Benfica que conseguiu na primeira parte ter bola, embora após o meio da primeira parte tenha abdicado um pouco disso. Acredito que neste ponto teve a chave do sucesso do Benfica em grande parte da primeira parte. 

Depois para mim existem duas razões para a supremacia do Sporting na segunda parte: a adaptação estrutural do Sporting com o seu treinador a mexer e bem nas peças do puzzle e com a quebra física e mental de alguns jogadores do Benfica com menos tempo de jogo nesta fase da época e que em jogos desta natureza competitiva faz a diferença.

Jesus ao colocar João Mário mais perto de Adrien e William equilibra o meio-campo e ganha na interação destes três comparativamente com Samaris-Talisca-Gaitan, pouco habituados a jogar juntos no setor médio, e ao colocar Gelson perto de Eliseu permite explorar ainda mais uma das maiores limitações do Benfica, com todo o respeito pelo jogador internacional português, que está numa fase menos boa. Esta é a primeira razão que encontro.

Depois, quem diz que os jogadores precisam de descanso enganam-se, porque o grande problema de Vitória foi a quebra física e mental de atletas que têm jogado menos, como Talisca e Pizzi, bem como o desgaste também físico e mental de Gaitan que raramente joga naquela posição (podes estar muito bem preparado para correr mas se te colocarem a nadar tu vais sentir cansaço/dor muscular no dia a seguir; na alteração posicional a mesma coisa embora em menor preponderância) e que não suportaram o maior ritmo de Adrien, William e João Mário, jogadores com muitos minutos nas pernas. Portanto, se equilibraram o setor médio e ainda por cima estavam com maior ritmo competitivo, parece-me evidente que a supremacia do Sporting iria acontecer. E aí Vitória na minha opinião mexeu mal, ao colocar André Almeida no lugar de Pizzi, voltando a colocar Gaitan numa ala, porque para além da quebra física da equipa, ainda lhe deu uma maior quebra mental ao dar um sinal de medo numa eliminatória “mata-mata”. Eu teria substituído Eliseu por André Almeida para controlar Gelson e ao tirar Pizzi colocaria Carcela (bons jogos sempre que jogou) dando um sinal da minha vontade de ganhar o jogo (“mata-mata”!!!). Obviamente que a frio tudo será sempre mais fácil e obviamente Rui Vitória melhor que ninguém sabe porque optou assim. 

Em conclusão, o Sporting ganha o jogo pelo plano de jogo de Jorge Jesus durante o jogo com a alteração posicional de João Mário e entrada de Gelson, pela dimensão física e mental de alguns jogadores do Benfica que não tiveram uma adaptação antecipada a um jogo desta intensidade física, tática e mental (os grandes jogos são preparados muito atrás da semana deste, do ponto de vista tático, físico e mental!) porque nem Pizzi, nem Talisca, nem Gaitan (do ponto de vista posicional) estavam preparados para esta competitividade e por último Rui Vitória na minha opinião enfraqueceu mentalmente a sua equipa com as substituições, porque em jogos a eliminar ganhas ou estás fora e o treinador na minha opinião colocou a derrota na mente dos jogadores!

Concordam com a opinião?

Têm outra leitura/interpretação do jogo?

Para terminar, reforço que esta temática do blog (Treinador de Bancada) é uma interpretação vista de fora, como um verdadeiro treinador de bancada, pelo que é uma opinião sem conhecimento do que se passa internamente nas duas equipas.

Cláudio Costa

3 comentários:

  1. Boas Cláudio, antes de tudo envio-te um abraço como saudação dos tempos que convivemos na formação da AAC-OAF!

    Vou ser muito simples: apesar de concordar com alguns aspectos que referes nomeadamente, relativos ao estatuto posicional dos jogadores, e à tomada de decisão de cada um dos técnicos, que resultou num determinado confronto posicional, e falas disso quase como um jogo de xadrez, onde se muda peça, se recua ou avança e muito bem!
    Para mim, e tu já me conheces um pouco, e a minha opinião vale o que vale, onde o Sporting marca a diferença, solidifica uma identidade "sui generis" e se destingue verdadeiramente, não só do Benfica como de todas as outras equipas da 1.a liga é na explanação dos seus princípios defensivos! A diferença está na consecução de um pressing alto ou zona pressionante em espaços mais ofensivos por parte de todos os jogadores num bloco compacto, em que claramente o objectivo é recuperar o mais rápido possível a bola! As contençoes, as coberturas e os equilíbrios vão muito para além do confronto de certos jogadores que atuam na mesma zona! Os jogadores do Sporting cumprem o princípios, o jogador mais perto pressiona de imediato o portador da bola, seja o Slimani, o Adrien, ou o Jefferson. ..colocam sempre uma cobertura, o equilíbrio e fecham os espaços interiores ou utilizam a linha "como mais um jogador", para evitar a progressão do adversario portador da bola...e mais, analisa o que te vou dizer, O JESUS PRETENDE QUE OS JOGADORES DO SPORTING CUMPRAM UM OUTRO CONCEITO INOVADOR QUE EU SÓ OBSERVO NAS EQUIPAS DELE, FAZER MARCAÇÃO ÀS COBERTURAS OFENSIVAS DE UM BENFICA RECUADO...PARA NÃO DEIXAR ENTRAR O PASSE DE SEGURANÇA DO BENFICA NESSAS COBERTURAS OFENSIVAS...MESMO QUE PARA ISSO TENHAM DE METER JOGADORES A MARCAR ESSAS COBERTURAS À FRENTE DA LINHA DA BOLA...conceito que contraria o chavão de que se deve defender atrás da linha da bola...
    Quanto à organização ofensiva de ambas as equipas na 2.a parte, a do Benfica foi "vazia", intuitiva e sem modelo...e a do Sporting pecava por falta de esclarecimento na criação de finalização, no entanto existe uma mobilidade e um entrosamento forte entre João Mário, Adrian e Slimani (com uma inteligência nos movimentos de PL, por parte deste) que fazem a diferença e provocam uma eminência de golo! Quanto a Gelson rápido, destemido, com muito potencial mas ainda pouco produtivo. ..como dizes e bem o seu sucesso ficou mais a dever-se aos erros do Lateral esquerdo do SLB do que da sua maturidade!
    apenas uma partilha de ideias, desculpa as letras maiúsculas. ..tive a coragem de partilhar este pensamento contigo, porque uma vez pedi que me fizesses um relatório do jogo da minha equipa de Juvenis Campeonato Nacional AAC-OAF 0 X SPORTING 0 e achei que estava muito bom e que perdeste tempo com aquele meu pedido. Aproveito para te agradecer e mandar um abraço de boa época

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    1. Olá Bruno.

      Em primeiro obrigado pela partilha da tua ideia no blog que acho que está muito bem explicita.

      Depois concordo plenamente que a base fundamental do modelo de jogo do Sporting é a sua organização defensiva, onde realmente o Jorge Jesus é fantástico. No entanto, como esta temática do blog (Treinador de Bancada) é também para pessoas não ligadas ao treino (adeptos, pessoas que gostam de ver futebol), a minha análise foi tipo comentador-televisivo, por isso eu não abordei a rigor o modelo de jogo do Sporting que está muito mais sustentado que o do Benfica, mas sim aquilo que foi o plano estratégico do jogo.

      Mas sem dúvida que concordo inteiramente com a tua análise e deixa-me dizer-te isto: Jesus é dos poucos que faz verdadeiramente a zona pressionante em bloco alto porque o conceito de zona pressionante pode acontecer em bloco intermédio ou mesmo baixo (se leres o Defesa à Zona do Nuno Amieiro ele fala nisso e já agora se leres um dos primeiros artigos que fiz neste blog :) ), e faz zona pressionante por isso que tu disseste em letras maiúsculas, porque a zona pressionante não é apenas contenção/pressão portador e sistema de coberturas defensivas e equilíbrio mas também um encurtamento espaço-temporal ao portador da bola de forma a que este se sinta "sufocado" não encontrando opções de espaço nem à frente, nem ao lado, nem mesmo atrás (marcação às coberturas ofensivas). Na minha opinião esse é que é o verdadeiro conceito de zona pressionante que nem todos entendem.

      Para finalizar obrigado pelo elogio ao relatório mas fiz como forma de aprendizagem e também porque a partilha de ideias com pessoas competentes no treino como tu só nos fazem evoluir.

      Um forte abraço
      Cláudio

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  2. Rezam as más línguas que o próprio Jorge Jesus corre kilómetros em treino atrás dos jogadores para que a zona press seja MESMO pressionante :) Gostei de vos ler. Abraço.

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