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Equipa nova – Como começar (a ganhar)?


Quem nunca se sentiu perdido por chegar a uma nova equipa e os jogadores não fazerem nada daquilo que esperava?


Isso é o mais normal, ora porque os treinadores anteriores não trabalhavam da mesma forma, ou porque muitos dos jogadores são novos na equipa, porque são jogadores que nunca jogaram futebol ou têm deficiências ao longo da sua formação.


Seja por que razão for, a menos que se esteja num clube com uma formação bem coordenada, com princípios e ideias comuns, quando se tem uma equipa nova, os jogadores têm uma ideia de jogo distinta da do treinador e muitas vezes distinta uns dos outros. 


Este, na minha opinião, é o grande problema que o treinador tem que resolver quando chega a uma equipa. 


O primeiro passo para resolver esse problema já está dado, é detetar que existem erros e dificuldades de entendimento dos nossos jogadores. Quando conseguimos detetar que a equipa não está bem e que precisa de melhorar muitos aspetos é ótimo, quer dizer que temos um ponto de partida!


O passo seguinte será hierarquizar os problemas, do mais urgente para o menos. Os que necessitam de ser corrigidos imediatamente para que a equipa tenha rendimento o mais cedo possível e os que podem esperar mais um pouco.


O maior erro é tentar corrigir tudo ao mesmo tempo. Dar demasiada informação é contraproducente, os jogadores não conseguem apreender tudo ao mesmo tempo, acabam por ficar confusos e não captar quase nada ou captar da forma errada.


Mas a que devemos dar prioridade inicialmente?


Cada equipa é única e tem problemas e dificuldades específicas, mas existem certos problemas que todas as equipas têm e que podem ser corrigidos logo de início.


Na minha opinião o mais urgente é a orientação racional do espaço (ORE) e os comportamentos dos jogadores no centro de jogo.


Orientação Racional do Espaço (ORE) – Uma boa disposição em campo dos jogadores a atacar e a defender é essencial. A noção de campo grande, da ocupação dos 3 corredores quando em organização ofensiva é uma das minhas prioridades. E claro, por oposição a noção de campo pequeno e ocupação dos corredores mais próximos da bola quando estamos em organização defensiva. Acredito na defesa à zona portanto a ORE é uma das minhas prioridades, a disposição tendo como referência primeiro a bola e depois os companheiros, a zona do campo e o adversário.


Centro de Jogo – Trabalhando por comportamentos, por princípios ou seja de que forma for, as ações dos jogadores mais próximo da bola são as mais importantes num jogo de futebol. Portanto o nosso foco inicial deve ser sempre mostrar aos nossos atletas como queremos que eles atuem nas várias situações que lhes podem surgir. Partindo da situação de 1x0 até ao 3x3 temos que lhes explicar como resolver todos os problemas que lhes surgem nos vários setores do terreno (não queremos que os nossos jogadores resolvam um 3x2 no setor defensivo da mesma forma que resolvem no setor ofensivo). Assim não só aprenderão a resolver as várias situações como saberão como é que os colegas estão a pensar agir numa determinada situação.


Depois de identificar os problemas e hierarquizá-los passamos à operacionalização. Mas esse é um assunto de um próximo texto.

Hugo Pinto

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