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William Carvalho – O mais rápido!

No futebol atual, uma das capacidades motoras mais valorizadas, senão a mais, é a velocidade. Alguns departamentos de scouting em Portugal, hierarquizam, em função do modelo de jogador por posição, um conjunto de fatores/características que pretendem para cada posição e é comum ver a velocidade nas mais variadas posições. Verdade é que a mesma depende de fatores determinantes como a mobilização dos processos nervosos, tipo de fibras musculares entre outros aspetos, sendo também uma capacidade motora que depende invariavelmente de fatores genéticos. 

Após uma breve descrição da capacidade motora e olhando o título do artigo, facilmente questionam, o que é que a velocidade, enquanto capacidade motora, tem a ver com o William Carvalho? Nada, ou tudo! Se pensarmos nas várias relações da própria equipa, que surgem no decorrer do jogo, facilmente se percebe que a velocidade e a velocidade de pensamento fazem o par prefeito. 

Dois tipos de velocidade, William representa na perfeição o que é a velocidade de pensamento no jogo. Tomada de decisão.

O meu objetivo quando decidi escrever sobre o William, mais propriamente a velocidade de pensamento, é suscitar-vos para o treino de formação e a importância do mesmo no desenvolvimento da velocidade de pensamento. O processo de treino na formação, na minha opinião, deve ser maioritariamente em especificidade, global, com interação de momentos com variantes e condicionantes que estimulem a tomada de decisão. Não tomem por certo que, limitar o número de toques, por exemplo, vai estimular a tomada de decisão, se descontextualizada, esta condicionante pode inibir a tomada de decisão. 

O jogo está mais rápido, exige cada vez mais que os jogadores decidam mais rápido e com qualidade sob pressão. Por isto mesmo é que, enquanto treinadores temos de ter a capacidade de criar contextos mais próximos da realidade de jogo, não digo que exercícios sem oposição, “rotinados” não devam ser feitos, têm é claramente que ter pouca percentagem de tempo na sessão de treino. Se queremos que os nossos jogadores joguem rápido, estes têm de pensar rápido o jogo no jogo. Estou certo de que o exercício de treino é a maior ferramenta do treinador, temos de ser criativos, promover contextos, esperar respostas, valorizar o comportamento/ação em foco, questionar o jogador, no fundo, conduzi-los para o nosso objetivo. A perceção do momento do jogo (observação, pensamento e execução) sob pressão, isto é, muito daquilo que é o jogo atualmente e mais importante do que a perceção do momento do jogo é a ação/resposta. Certamente que já verificaram um jogador tecnicamente evoluído, mas constatam que não é suficientemente rápido para o alto rendimento. Será? Uma equipa não é constituída somente por jogadores velozes, nem só por jogadores que pensam rápido. Dos dois tipos de velocidade acima descritos, ambas tem treinabilidade, mas a velocidade de pensamento, tomada de descião depende muito mais do treino do que de fatores genéticos, por isto mesmo, temos muito mais influência no desenvolvimento desta. Compete-nos a nós treinadores através do processo de treino potenciar as suas capacidades, tornando assim um jogador que até então era apenas tecnicamente evoluído, num jogador rápido do ponto de vista decisional.


Tiago Coelho

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