Novidades

Os alongamentos e o aquecimento no Futebol



Retirado de esporte.uol.com.br
Quantas vezes se veem jogadores a alongar antes de um jogo? Se vos pedir para pensar num jogo de futebol que viram na televisão e se lembrarem da imagem de um jogador a aquecer o que vos vem logo à cabeça? Não é um jogador com as pernas bem afastadas a olhar para os colegas em campo?


A verdade é que os alongamentos estão, há bastante tempo, enraizados no aquecimento para um jogo ou para um treino de futebol. Os aquecimentos diferem de equipa para equipa e de treinador para treinador, no entanto, são poucos os que abdicam dos alongamentos estáticos antes do início da atividade.

Mas porquê? Qual a justificação científica para tal? E prática, existe alguma? Qual a justificação para fazermos este ou aquele aquecimento? Não será tão importante a construção do aquecimento de um jogo e de um treino como a da parte fundamental?


Se pensarmos que um jogo pode ser decidido por um momento, e que esse momento pode ser tanto no primeiro como no último minuto de jogo, o aquecimento que antecede esse primeiro minuto pode fazer a diferença.


Qual é então o aquecimento ideal para um jogo de futebol? Nos últimos dois anos dediquei algum do meu tempo a pesquisar um pouco sobre esta temática.


Existem, de facto, evidências de que a utilização de um aquecimento antes da prática desportiva pode trazer benefícios. No entanto, depende do tipo de aquecimento e do tipo de exercício que se segue. Ou seja, para diferentes desportos e diferentes tipos de esforço devemos ter diferentes tipos de aquecimento.


No futebol o aquecimento para um jogo ou para um treino de intensidade média/elevada, o aquecimento deve ter:


  • Uma primeira fase chamada de “aquecimento ativo”, que tem como objetivo principal o aumento da temperatura muscular, da frequência cardíaca e do VO2. É uma primeira fase que consiste em atividades de baixo impacto como o jogging e mobilização articular.

  • Uma segunda fase de flexibilidade ativa, tem como objetivo continuar com a elevação da temperatura muscular e aumentar a preparação músculo-esquelética e neuromuscular. Esta fase consiste em atividades dinâmicas controladas, com movimentos mono e poliarticulares efetuados a velocidades moderadas, com a amplitude a ser controlada pela posição e peso corporal; e em atividades dinâmicas “antagonistas”, movimentos a velocidade elevada controlados essencialmente pelos músculos antagonistas.
  • A última fase é a fase de preparação neurológica, onde os atletas fazem atividades mais aproximadas das que vão fazer na sessão de treino, velocidade, agilidade e relação com a bola.

Com este cenário, onde ficam os tão utilizados alongamentos estáticos? Os alongamentos estáticos não são aconselháveis para este tipo de exercício. Não trazem benefícios a nível de performance, havendo até alguns artigos que falam que podem ser prejudiciais no sprint máximo, no salto, e em exercícios de força; sendo apenas aconselhados antes de certos desportos, como ginástica, onde a amplitude articular máxima pode fazer a diferença em detrimento da força e velocidade.


Poderão ser utlizados no final, com amplitudes controladas, porque existem estudos onde os atletas reportam melhorias nas dores musculares pós-treino e pós-competição.


No entanto devemos ter em consideração algo muito importante, o aspeto psicológico. Muitos jogadores reportam que só se sentem preparados para a competição se fizerem alongamentos estáticos ou outro tipo de exercícios. É importante ter isso em conta e mudar os hábitos aos poucos e explicar aos jogadores porque o estamos a fazer. Um jogador que não se sente preparado, não está preparado e não vai dar o máximo.

Caso queiram saber mais sobre este assunto podem ver a minha tese no repositório aberto nacional através deste link.

Talvez vos interesse também Desenvolvimento da velocidade no futebol.


Hugo Pinto

Sem comentários