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Exercícios sem oposição... Sim ou não?


Neste post decidi falar um pouco da importância de exercícios sem oposição ou com oposição passiva.

Imagem retirada de benficagloriosos.blogspot.com
Desde que me lembro sou um opositor acérrimo deste tipo de exercícios. Há uma falta de intensidade clara, os jogadores tendem a facilitar por não ter oposição, fazem maus passes, progressão demasiado lenta, etc. não é, de facto, um tipo de exercício especialmente motivador para os atletas.

No entanto, há pouco tempo deparei-me com um obstáculo que não conseguia ultrapassar. Queria trabalhar o pressing alto, os meus jogadores já faziam a contenção e as coberturas relativamente bem com 2 e 3 jogadores e sabiam explicar-me como condicionar os jogadores adversários nas zonas do campo que eu queria, no entanto quando passávamos para o 7x7 as dificuldades eram enormes, tinham dificuldade em ligar tudo, fazer uma pressão alta efetiva, com todos os jogadores, com compensações permanentes, condicionando a equipa adversária da forma que tínhamos descrito anteriormente e desenhado no quadro.


Como resolvi o problema? Deixei as minhas desconfianças de parte e decidi fazer 7x7 com defesa passiva. Os jogadores que defendiam não podiam tirar a bola com desarme, apenas fazer a pressão alta que pedia, tapando os passes para a frente, obrigando o adversário a jogar longo na frente ou jogar mais rápido. Com bastantes paragens inicialmente e correções posicionais os movimentos que pretendia foram aparecendo, os jogadores foram percebendo em campo o que lhes era pedido, foram percebendo as movimentações dos colegas e o tipo de compensações que tinham que fazer.

Como não é um tipo de exercício que costumamos fazer e como lhes expliquei qual a função do exercício, os jogadores mantiveram a motivação e os índices de concentração elevados. O jogo seguinte foi um teste para o tínhamos trabalhado e correu particularmente bem.

Continuo a não ter um amor especial por este tipo de exercícios, parece-me que devem ser utilizados numa percentagem diminuta no microciclo e com um exercício de oposição ativa de seguida para pôr em prática o que foi feito e para motivar os jogadores, mas com uma importância vital quando queremos que os nossos jogadores percebam certos comportamentos grupais que em exercícios mais abertos, de oposição ativa, eles não conseguem entender e pôr em prática.

Este é um tipo de exercício que pode ser utilizado tanto com objetivos ofensivos como defensivos, já que, muitas vezes, os atletas com oposição ativa não conseguem perceber o jogo rapidamente e movimentar-se em função dos colegas sem que haja uma perda de bola.

Parece-me um tipo de exercícios importante, se utilizado com objetividade e não caindo em excessos.


Hugo Pinto

 

1 comentário:

  1. O problema dos exercícios sem oposição (ou com oposição passiva) é colocar-se o foco atencional na ação do jogador com bola ou que vai receber a bola, quando o foco deve estar na observação e correção do posicionamento de todos os jogadores em função da posição da bola. Se se faz um 7x0 ou 11x0 unicamente para trabalhar a circulação da bola penso que a utilidade do exercício é reduzida... até porque os jogadores tendem a alhear-se da circulação quando a bola já n vai passar por eles... mas o problema n é do exercício mas do q se faz com ele. Há uns videos c o Miguel Cardoso (ex adjunto do Domingos) a trabalhar organização defensiva sem oposição... e sem bola (os cones simulam o local imaginário da bola)... e que acho fantásticos precisamente pq o foco está no posicionamento. Muitas vezes o problema deste tipo de exercícios é q exigem mais recursos humanos (principalmente nos primeiros escalões de formação) pois é dificil dar feedback permanente aos participantes no exercício e simultaneamente conduzir o próprio exercício.

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