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A vertente estratégica do jogo no treino



No futebol atual, a recolha de informação sobre o adversário é algo fundamental a que todos os treinadores dão grande critério. É essencial saber quem é o nosso adversário. Deste modo, aspetos como o sistema tático, o desenvolvimento do processo ofensivo, o desenvolvimento do processo defensivo, o desenvolvimento da transição defesa-ataque, o desenvolvimento da transição ataque-defesa, os esquemas táticos, entre outros aspetos, como as características individuais dos jogadores, são cruciais para bem conhecer os nossos opositores.


 
“Ao longo das conversas com o Professor Vítor Pereira surge no seu discurso a importância que ele dá ao lado estratégico. Segundo ele é fundamental contemplar a estratégia no processo de treino, para ele o conhecimento do adversário é muito importante para a preparação dos jogos, logo a integração desta dimensão do jogo, no treino, torna-se muito importante.”
“André Villas-Boas (…) corrobora com esta ideia, onde nos diz que a partir do momento em que as dinâmicas coletivas e individuais do adversário estão identificadas parte-se para o trabalho de campo, para a preparação dos treinos, com a simulação das principais situações de jogo identificadas no adversário.”

Após a recolha e tratamento da informação da equipa adversária, “…parte-se para o trabalho de campo, para a preparação dos treinos…”.

Coloco algumas questões:

Como adaptar no nosso microciclo aquilo que são as dinâmicas coletivas e individuais da equipa adversária, sem desvirtuar a nossa identidade?

Quanto tempo de treino devemos direcionar ao “adversário”?

Do que conhecemos do adversário, a que devemos dar mais critério?

Entre outras questões que se possam colocar, a mim parece-me fundamental, após a recolha e tratamento da informação, que se realize uma seleção daquilo que são as potencialidades da equipa (pontos fortes) de forma a tentar minimizar as mesmas e as vulnerabilidades (pontos fracos) explorando-as.

Os exercícios de treino, a criação de contextos, a “simulação das principais situações de jogo identificadas no adversário”, são aspetos que assumem enorme preponderância e que na minha opinião devem ser a nossa grande ferramenta a explorar. Por exemplo, se um dos pontos fortes do nosso adversário é o momento de transição ofensiva, jogam maioritariamente em ataque rápido ou contra ataque e os alas jogam com pé dominante inverso ao corredor, devemos ter em consideração este aspeto na criação dos contextos. A opção de pressionar alto, tentando bloquear o passe nas costas, evitando o 1º passe para a frente, ou defender em bloco baixo com coberturas próximas dos médios interiores aos laterais recai naturalmente sobre o treinador, contudo nunca devemos perder as nossas ideias de jogo, a nossa identidade. No caso anteriormente exposto, pequenos pormenores como a colocação dos apoios dos laterais em situações de 1vs1 são importantíssimos, contudo não chega “falar com os laterais” é preciso expô-los em situação de jogo a este contexto de forma a que este vivencie o que vai encontrar em jogo.

Se te adaptas em demasia ao adversário perdes a tua identidade ou seja reduzes as tuas potencialidades, na tentativa de bloquear as do adversário, e por consequência ficas mais vulnerável. Daí a importância da seleção e da gestão da adaptação do microciclo de treino aos comportamentos coletivos do adversário. 

Tiago Coelho

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