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Transfer Fut 7 – Fut 11. Problemas e Soluções. Parte 1

Um dos momentos mais importantes da formação do jovem futebolista é a passagem do FUT 7 para o FUT 11, sendo uma etapa de aprendizagem fundamental para o sucesso do atleta neste formato competitivo. 

O grande objetivo deste texto é descrever os principais problemas que acontecem nesta transição e procurar identificar soluções para uma boa adaptação.

O primeiro grande problema nesta transição é facilmente identificável e diz respeito ao aumento do espaço em largura e profundidade. Os atletas, nos primeiros meses revelam grandes dificuldades em fazer campo grande, verificando-se imensas vezes equipas em ataque concentradas no seu meio campo, concentradas na zona da bola. 

Depois outro problema que observo advém do aumento da complexidade do jogo com o aumento do número de jogadores. Existindo mais quatro adversários e mais quatro colegas, as relações de cooperação-oposição aumentam e consequentemente a complexidade do jogo aumenta, havendo por isso maior dificuldades no posicionamento, na ocupação racional do espaço.

Por último, atletas ou mesmo equipas com atraso maturacional acentuado revelam grandes dificuldades em adaptar-se a um aumento do espaço, revelando dificuldades no deslocamento de maiores distâncias, na ocupação racional do espaço e mesmo nos fatores técnicos como o passe longo e o remate de longa distância. 

Retirado de www.dynastysportsacademy.com
Então como resolver estes problemas vivenciados nesta transição para o FUT 11?

A primeira solução deve estar no espaço de treino em que treinam normalmente as equipas deste escalão. Se queremos uma rápida adaptação da equipa ao espaço desenvolvendo o princípio de campo grande (largura e profundidade), temos de reunir as condições ideais para que isso aconteça. As perguntas que faço são as seguintes: Porque damos mais tempo de treino em campo inteiro aos escalões superiores (juniores e juvenis) em detrimento dos escalões que estão a adaptar-se a um novo formato do jogo? Como desenvolvo a profundidade se não treino no comprimento total do terreno de jogo ao longo da semana, como acontece em muitos clubes? Se perguntarem à maioria dos treinadores deste escalão de transição, a grande dificuldade nesta transição reside muito mais na profundidade do que na largura, e para superarmos este problema temos que treinar em campo inteiro nos treinos de maior disponibilidade física e mental (treinos mais afastados do momento competitivo) o que normalmente não acontece nos clubes que não têm todas as condições espaciais para todos os escalões.

Depois para resolvermos o problema do aumento da complexidade pelo aumento do nº de jogadores, no meu ponto de vista, uma das soluções está antes de chegarmos ao escalão de iniciados, isto é, nos escalões de FUT 7 principalmente no escalão de infantis. Como? Treinando princípios de jogo, treinando em função da dimensão tática e muito importante, optando pela variabilidade dos sistemas de jogo no FUT 7 (GR+2-3-1; GR+3-2-1-; GR+3-1-2; etc.). Por exemplo, um dos problemas de jogarmos sempre em GR+2-3-1 no FUT 7 quando passamos para o FUT 11 está no posicionamento dos Médios-Centros quando estão a atacar, já que estes têm tendência a irem todos para o lado da bola, esquecendo que é importante dividir o espaço no corredor central. Portanto, estimulando diferentes sistemas permite uma maior adaptação na transição para o FUT 11, o GR+2-3-1 tem transfer positivo no posicionamento dos centrais no FUT 11, o GR+3-1-2 no jogar com 2 avançados ou na combinação entre laterais e extremos ou o GR+3-2-1 na ocupação racional do espaço dos dois ou três médios centros no FUT 11. Mas mesmo muito mais importante é o desenvolvimento dos princípios fundamentais de jogo (progressão/contenção, cobertura ofensiva/cobertura defensiva, mobilidade/equílibrio, espaço/concentração, unidade ofensiva/unidade defensiva) nos escalões de base. 

Outra solução para resolver o problema da complexidade é a continuidade no processo de treino no desenvolvimento de princípios jogo, no entanto, com um aumento gradual do nº de jogadores envolvidos nos exercícios, com o espaço aumentado de acordo com as distâncias no FUT 11. No FUT 7 exercita-se adequadamente do 1x1 ao 4x4 chegando poucas vezes ao 5x5,6x6 ou 7x7. No FUT 11, para uma melhor adaptação devemos procurar progredir mais rapidamente para exercícios de maior nº de jogadores, do 5x5 ao 10x10 em espaços que proporcionem deslocamentos coincidentes com o espaço percorrido no FUT 11.

Por último, o escalão de iniciados (escalão de transição) revela grandes diferenças físicas e maturacionais entre atletas de 1ºano e 2ºano e entre atletas nascidos no mesmo ano. As soluções que encontro para resolver este problema são a diferenciação entre campeonatos (nacional e distrital 1ºano, nacional e distrital 2ºano) ou a introdução de regras maturacionais ou físicas que protejam o atleta mais atrasado maturacionalmente. Sabemos muito bem os talentos que se perdem pela desvantagem física e que depois mais tarde vem o arrependimento dos treinadores que os dispensaram. Outra alternativa passaria pela realização de competições de FUT 9 nos iniciados de 1ºano, jogando na largura do FUT 11 e mantendo o comprimento do FUT 7. Acreditamos que o aumento da complexidade de forma progressiva seria mais vantajoso para estes atletas.

Concluindo, no escalão de transição do FUT 7 para o FUT 11 devemos exigir melhores e maiores condições espaciais de treino, devemos perceber como trabalham os escalões de base para planearem em função do que os jogadores aprenderam anteriormente e devemos reformular as competições neste escalão.

Cláudio Costa

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