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O jogo exige INteligência coletiva e INtensidade

Força, energia, veemência, são alguns sinónimos de intensidade, que por si só nada valem, senão aliados à inteligência.

Uma equipa não é a soma de vários jogadores, mas sim a relação/interação entre vários jogadores com o objetivo de criar algo novo.

Importa definir o que é intensidade no jogo de futebol, é muito para além da simples força, energia e veemência, requer inteligência coletiva e depende invariavelmente da ideia de jogo da equipa.


José Mourinho:
“Eu costumo dizer sempre que uma das coisas que fazem com que o treino seja mais intenso – e quando falamos em intensidade fala se [normalmente] em desgaste energético – é a concentração exigida. Por exemplo, correr por correr tem um desgaste energético natural, mas a complexidade desse exercício é nula. E, como tal, o desgaste em termos emocionais tende a ser nulo também, ao contrário das situações complexas onde se exigem aos jogadores requisitos técnicos, táticos, psicológicos e de pensar as situações, isso é que representa a complexidade do exercício e que conduz a uma concentração maior.”
A capacidade de reação/adaptação a um determinado estado (momento) determina a eficácia coletiva. Se pensarmos no momento em que a equipa perde a bola, este exige uma transição defensiva, a mesma pode ser executada de várias formas em função do posicionamento da equipa adversária, do posicionamento da própria equipa, mas fundamentalmente da ideia do treinador – identidade de jogo.

A ideia de jogo, de que muito se fala atualmente é resumidamente os comportamentos coletivos que o treinador pretende que a equipa evidencie em situação de jogo face aos diferentes momentos.
Os jogadores são, invariavelmente, os intérpretes das ideias que o treinador pretende e a execução das mesmas dependerá da vontade e perceção dos mesmos.

Enquanto treinadores devemos ter a capacidade de refletir acerca do processo de treino e colocar-nos na posição do jogador. Se fosse eu a correr por correr só para alcançar uma “boa”, parece-me má, forma física será que me sentia motivado? Obviamente que não.
Intensidade é muito para além da condição física. Deixo-vos aqui mais algumas declarações do melhor treinador do mundo José Mourinho:

“…Sei, isso sim, o que fizeram comigo no FC Porto. E foi dar corpo àquilo que eu e o Rui Faria defendemos e sistematizamos, que é não acreditar em picos de forma, em alternância entre volume e intensidade de trabalho, não acreditar no volume de trabalho, mas somente na intensidade. Mantivemos a intensidade de trabalho do primeiro ao último dia da época.”
 “ Não acredito, no futebol de hoje, em equipas bem fisicamente e outras mal. […] Há equipas adaptadas, ou não, há forma de jogar do seu treinador. O que nós procuramos é que a equipa se consiga adaptar ao tipo de esforço que a nossa forma de jogar exige.”
“Eu digo que para haver sucesso numa equipa de futebol a equipa tem de estar 100 por cento preparada. E quando eu digo 100 por cento não consigo dissociar aquilo que é físico daquilo que é técnico, daquilo que é psicológico. Para mim, um jogador é um todo, tem características físicas, técnicas e psicológicas que eu tenho de desenvolver como um todo. Não consigo separar. (…) ”.

Se “crias” um exercício correr por correr, não podes exigir aos teus jogadores que no jogo, apresentem algo mais do que correr por correr.

Perceção (Inteligência) e vontade (Intensidade) dos jogadores exige inteligência do Treinador – Criatividade - Criação de contextos onde se evidenciem os comportamentos coletivos desejados.“ A necessidade/objetivo cria o exercício”.

O processo de treino assume enorme preponderância no desenvolvimento e aquisição de conteúdos tático-técnicos, físicos e psicilógicos. A supradimensão tática, princípios e sub-principios do teu modelo de jogo, devem assumir-se como o núcleo duro do processo, onde invariavelmente entrará a intensidade de concentração, perceção do momento e tomada de decisão em função do mesmo. As exigências físicas, naturais do próprio exercício, estarão presentes mas em especificidade, como um meio para atingir um fim.

Treina o jogo, as tuas ideias o teu modelo de jogo, para jogares o treino.


Tiago Coelho


1 comentário:

  1. Muito bom! Noto algumas citações provenientes do livro "Mourinho: Por quê tantas vitórias?", em que a forma em que o mesmo treina a sua equipa,tanto no treino em si quanto no comportamento impressionam..ele tem a equipa nas mãos! Penso que a perceção de jogo e a intensidade dos atletas sejam os principais" problemas" para o treinador..como trazer os atletas para o jogo em si; estar no jogo nem sempre significa estar jogando..

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