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A influência do feedback na operacionalização do nosso modelo de jogo

Será que o feedback (informação que tu transmites a uma pessoa ou grupo de pessoas através das palavras, gestos ou expressões) tem alguma influência no “jogar” da tua equipa ou dos teus atletas?

A minha resposta será baseada na minha experiência como treinador, particularmente neste início de época 2014/2015.

Antes do início de época definimos um planeamento anual por 3 etapas (Macrociclos) onde desenvolveremos a nossa ideia de jogo. Dentro dessas etapas, temos mesociclos (2-3 semanas) onde damos maior ênfase a alguns princípios de jogo em detrimento de outros e por fim caraterizámos do ponto de vista tático, técnico, físico e psicológico, o microciclo (semana).

Tudo muito bonito, tudo planeado (ou nem tanto!) mas existem pormenores que podem fazer a diferença na operacionalização eficaz desse planeamento!

E um dos pormenores que muitas das vezes não damos grande importância é aquilo que dizemos, que expressamos aos nossos atletas, ou seja, o feedback. Para vocês perceberem melhor, nas primeiras semanas de treinos o feedback foi generalizado, pouco interrogativo e direcionado a todas as fases do jogo, muitas vezes negativo tanto nas palavras como nas expressões porque estávamos constantemente a verificar erros e queríamos aprendizagem de tudo em 2-3 semanas. Grande consequência? Não houve evolução do “jogar” pretendido e claramente houve diminuição da confiança e da motivação dos atletas. 


Refletimos sobre a situação e concluímos claramente que o problema não estava nos exercícios construídos mas sim na qualidade do feedback. Nestas duas últimas semanas, no nosso mesociclo tínhamos como conteúdos a desenvolver a 1ªFase de construção ofensiva e o momento de Transição defensiva e preocupámo-nos em direcionar claramente a informação dada sobre esses conteúdos que estavam no planeamento. Consequência disso? Evolução, confiança, motivação aumentadas. 

Grande mensagem que vos queria deixar é que planear e operacionalizar futebol é extremamente complexo e um pormenor que para mim é um “pormaior” pode fazer toda a diferença. Não tenho dúvidas, planear, direcionar o feedback em função do nosso planeamento é fulcral para o sucesso. Mais, podes ter o melhor exercício do mundo, mas se não escolheres as palavras certas e os momentos certos para te expressares, esse exercício não gera evolução. Mais, podes ter os melhores jogadores do mundo, mas se as tuas palavras ou gestos não criam empatia, emoção, motivação e foco neles estás condenado ao insucesso.

Cláudio Costa



4 comentários:

  1. Boas ! Achei muito interessante este artigo pois estava neste momento a debater-me se não devia alargar o feedback a mais situações (visto que há bastantes erros). Percebi que o que estou a fazer é o mais correto.
    Queria apenas perguntar quantos principios ou subprincipios trabalham por mesociclo e se o fazem simultaneamente para mais que um momento ou se dentro do mesmo mesociclo trabalham numa unidade de treino mais um (ou uns) principios relativos a um momento e noutra unidade se focam noutro momento. Já agora, saber com que escalão trabalham... Um abraço !

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  2. Obrigado Filipe pelo comentário.

    Nós procuramos desenvolver no mesociclo os princípios coletivos que sustentam a fase do jogo e os princípios fundamentais e sub-princípios (princípios mais individuais) que sustentam os princípios coletivos, tudo isto em ligação, em cadeia.

    A minha opinião é que devemos desenvolver todos os princípios e sub-princípios, nem que tenhamos que aumentar o nº de semanas do mesociclo (consolidação). Depois, podemos desenvolver diferentes momentos/fases do jogo no mesmo mesociclo, normalmente os que se ligam (Org.Of-Tr.Def ou Org.Def-Tr.Of), no entanto não devemos misturar feedback no mesmo exercício, ou pelo menos na mesma série de um exercício (série 1 - org.of; série 2 - Tr.Def).

    Importante também é a dinâmica do microciclo ao longo do mesociclo e os princípios e sub-princípios a desenvolver dependem muito do estado mental e físico dos atletas e da equipa e da proximidade do momento competitivo. Por isso, temos de ter em conta que quando as equipas/atletas estão desgastadas fisica e mentalmente (após competição) e estão mais próximos do momento competitivo devemos desenvolver princípios de menor complexidade (sub-princípios e princípios fundamentais), quando já recuperaram e estão mais afastados do momento competitivo devemos desenvolver princípios de maior complexidade (princípios coletivos). No entanto, não podemos esquecer que a relação entre princípios coletivos e sub-princípios deve estar presente em todos os treinos, no entanto a ênfase dada a uns ou outros depende do explicado anteriormente.

    Por último, estamos com escalão de iniciados sub-14, e infantis sub-12 e sub-13.

    Espero ter ajudado e espero que continues a ver o nosso blog!

    Abraço e bom trabalho.

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  3. Obrigado pela vossa resposta. Tenho apenas mais uma questão, quando começam com a equipa no inicio da época e se focam em 2 momentos, os outros 2 momentos ficam sem orientação? Um exemplo: começam a pré época e têm 1 mês até à competição, durante esse mês trabalham 2 momentos consolidando principios e sub-principios, e só durante a competição é que vão trabalhar os outros 2 momentos? Questiono isto no intuito de saber se preferem ter 2 momentos bem consolidados e só depois trabalharem os outros, ou se preferem ter um pouco dos 4 momentos sem estarem bem consolidados.

    Continuem com o excelente trabalho. Certamente que estarei deste lado para opinar e fazer as minhas questões. Muita qualidade neste blog !

    Abraço.

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  4. Não digo que ficam sem orientação porque muitos dos exercícios que criamos são ricos para o desenvolvimento de todos os momentos do jogo e existem momentos da semana de treinos para corrigir erros, mas o foco principal (feedback) é no desenvolvimento dos conteúdos que estão no planeamento. Se por vezes verificarmos erros constantes num atleta ou na equipa num momento/fase de jogo que não é o foco principal do planeamento, devemos na minha opinião relembrar de forma breve as principais ideias desse momento. Quanto à segunda parte do comentário, penso que consolidar os dois momentos que vocês consideram mais importantes para a tua ideia de jogo é o mais adequado e a consolidação disso demora mais que um mês, muito mais tempo. Se olharmos por exemplo ao futebol das equipas de Guardiola, verificas que ele concentra-se claramente no momento de organização ofensiva e transição defensiva e verificas alguns erros nos outros dois momentos/fases de jogo. Já Mourinho opta pelo contrário. Ao longo do tempo quando verificamos consolidação, vamos introduzindo novos conteúdos das outras fases do jogo para chegarmos a um modelo de jogo quase ótimo. Mais uma vez exemplifico com as equipas de Guardiola que tem sempre dificuldades em organização defensiva quando não faz uma boa transição defensiva e com as equipas de Mourinho que normalmente na primeira época tem qualidade na organização defensiva e na transição defensiva para ataque rápido e na 2ª época já tem um jogo mais completo em todos os momentos de jogo. Consolidar demora tempo!

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