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FC Porto “Sempre preparados”?


Fim de ciclo ou início de ciclo? A hegemonia do FC Porto terminou? O que nos diz a história? Época de mudanças, quais as perspetivas para a época desportiva 2014/2015?

Para os adeptos do Futebol Clube do Porto as perguntas acima enumeradas deviam estar a provocar uma ansiedade sufocante para que se desse o início da nova época, pois as respostas só podiam ser dadas dentro das quatro linhas. A verdade é que as dúvidas estavam instaladas e pairavam sobre o estádio do dragão, que desde a sua inauguração a 16 de novembro de 2003 nunca tinha visto um ano desportivamente tão “pobre”. As possibilidades de resposta “fora de campo” eram múltiplas, bastava escutarmos o que era dito pela comunicação social e afins, que muitas das vezes tem segundas intenções.

Numa tentativa de responder a algumas das questões, submeti-me a uma pesquisa, sem grande profundidade, e constatei que, no passado recente, o Futebol Clube do Porto após um ano desportivamente negativo, tem como resposta um ano de vitórias. (Na época de 2009/2010 o FC Porto não é campeão, sendo o 3º classificado, vencendo a taça de Portugal e a supertaça Cândido Oliveira; o que aconteceu na época seguinte foi um domínio total a nível nacional, conquistando a supertaça, o campeonato e taça de Portugal, e internacional com a conquista da Liga Europa. Este domínio a nível interno propagou-se por mais dois anos, sendo interrompido na época que agora terminou 2013/2014. Este facto também se verifica na época de 2004/2005 em que o FC Porto vence “apenas” a taça intercontinental e a supertaça, as quatro épocas desportivas seguintes foram de um domínio interno claro e absoluto conquistando quatro campeonatos, duas taças de Portugal e uma supertaça. Desde de 2004/2005 o FC Porto foi campeão sete vezes, não o sendo apenas por três vezes.)

O que acima está referido vale o que cada um quiser. A grande questão passa pela capacidade de resposta que o clube, após derrota, tem dado, e que é um facto. 

Neste momento, com o fecho do mercado de transferências, com entradas e saídas de jogadores, é possível fazer uma breve análise do que pode ser esta nova época para o FC Porto. Saíram jogadores como Mangala, Fernando, Varela, Josué, Licá, Defour, Carlos Eduardo entre outros. Em contrapartida entram jogadores como Brahimi, Casemiro, Tello, Oliver, Martins Indi, Adrián Lopez, Evandro, Aboubakar, Campaña, Otávio, Rubén Neves entre outros.

Ao longo do mercado de transferências foi notória a intenção do FC Porto, começando pela escolha do treinador, para muitos desconhecido, de seu nome Julen Lopetegui, o que possibilitou a entrada de alguns jogadores que de outra forma dificilmente viriam para o campeonato nacional. Fica o apontamento de mais uma cartada de altíssimo nível da estrutura do FC Porto. De salientar que a contratação do treinador não foi, obviamente, apenas por este ponto que acima referi, contudo, junta-se “o útil ao agradável” e agradável é já a forma como o FC Porto joga. Apenas com 5 jogos oficiais zero golos sofridos, nove marcados e a presença na liga dos campeões assegurada, é evidente, ainda que prematuro falar-se, uma identidade de jogo em crescendo, assente em dominar e controlar o jogo com bola, largura e profundidade, capacidade de reacção à perda, variação do centro de jogo (…).

Aspeto fundamental, que ajuda imenso à produtividade colectiva, é a competitividade interna que o plantel do FC Porto oferece, contrariamente ao ano passado, que o diga o Ricardo Quaresma. A meu ver, é um dos planteis mais competitivos dos últimos anos do FC Porto. Um plantel equilibrado com muitas soluções, jogadores com características diferentes para as mesmas posições, jogadores globais, que fazem várias posições o que permite grande mobilidade quer em jogo quer na própria gestão do plantel. Parece-me crucial para o sucesso colectivo e desportivo a capacidade de gestão do plantel que Lopetegui terá de ter; enganam-se aqueles que pensam que é fácil tendo à disposição tanta qualidade. Tendo em consideração que o FC Porto vai dar prioridade clara ao campeonato, parece-me que com um plantel tão vasto e “rico” tenha a ambição de querer vencer todas as competições internas e fazer uma boa campanha na liga dos campeões e para isto é necessário um gestão equilibrada e ponderada, tendo em consideração vários aspectos como a calendarização dos jogos, as características do adversário, o momento individual de cada um, a produtividade colectiva, entre outros... (gestão de egos).

Qualidade acarreta responsabilidade: o primeiro objetivo já foi alcançado, contudo, por si só, não chega. Resta esperar para ver o que vem por aí. Para já os adeptos do FC Porto podem esperar sorridentes mas conscientes. Falar de fim de ciclo ou término da hegemonia do FC Porto, como se falou no final da época passada, parece-me precoce. Só o tempo dirá se é ou não o fim de um ciclo de vitórias ou o início do próximo ciclo de vitórias do FC Porto. Resta aos adeptos do FC Porto confiarem no slogan da nova marca de equipamentos “Sempre Preparados”.

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Tiago Coelho

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