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Os nossos Guerreiros Sub-19


Vou começar este texto por felicitar toda a equipa de sub-19 da nossa seleção, jogadores e equipa técnica! Para mim foi uma seleção que representou o nosso país, da melhor forma possível. Muito empenho, mesmo com as dificuldades físicas naturais que os foram atormentando no final da competição, com bastante cansaço físico e emocional perfeitamente natural numa competição deste género (especialmente depois de uma meia-final com prolongamento e penaltis).


O jogo da final, a meu ver, espelhou perfeitamente a realidade das seleções e da formação em geral dos dois países. Vi uma seleção bastante mais adulta, que conseguia gerir os momentos do jogo, com capacidade individual, mas que se destacava essencialmente pela forma como gere a sua posse de bola e consegue controlar as tentativas de ataque adversárias. E a portuguesa com um potencial enorme, jogadores muito criativos, com boa relação com a bola, capazes de desequilibrar a qualquer momento mas com pouca experiência, com um jogo muito menos fluido, com dificuldade em controlar a posse de bola em várias alturas da partida.

Foi um resultado mais que justo que, apesar de tudo, poderia ter sido diferente e ter feito as alegrias de muitos portugueses e fazer esquecer um pouco o Mundial. A verdade é que se isso tivesse acontecido iria continuar a iludir muita gente. Temos bons treinadores de formação e temos muito talento nos nossos jogadores, mas não temos uma aposta evidente da maior parte dos clubes na formação. A formação em Portugal não está bem apesar deste resultado animador!

Decidi fazer uma pequena comparação entre as duas seleções. Ora vejamos, na equipa portuguesa estão representadas 8 equipas, 5 delas portuguesas e dessas apenas 3 têm jogadores de campo. Essas 3 equipas são o Benfica, Porto e Sporting. Todos esses jogadores nas equipas B (nenhum jogou pela equipa principal do clube) e muitas vezes pouco utilizados na equipa secundária. A média de idades destas equipas secundárias é acima dos 20 anos. A Benfica B é composta por 80% portugueses e a A por 31,7%; a equipa do Porto B é composta por 60% portugueses e a equipa A por 21,2%; a equipa do Sporting B por 73,1% e a A por 47,5% portugueses.

Quando olhamos para os números na seleção alemã ficamos admirados. Os jogadores pertencem a 14 equipas diferentes, todas alemãs e apenas 5 jogadores são de equipas do cimo da tabela (2 do Leverkusen, 2 do Shalke 04 e 1 do Dortmund) e todos eles fazem parte da equipa principal! Escusado será dizer que os outros também fazem parte das equipas principais e muitos deles jogam regularmente. Mas existem mais números! Das equipas representadas a equipa com menos alemães na equipa A é o Nuremberga com 44%, todas as outras têm mais de 50% de alemães a compor o plantel.

Duas realidades completamente opostas, uma com oportunidades, onde os jogadores vão entrando aos poucos e com a segurança e a tranquilidade necessárias e outra onde o funil vai ficando cada vez mais estreito, onde só passa um ou outro jogador por golpe de eleições ou por uma necessidade ocasional.

Com um cenário destes, admira não termos levado 4… Ou 7! Mas fomos representados por uns guerreiros, com uma capacidade de luta e um potencial invejáveis, que nos encheram de esperança! Esperemos que não lhes aconteça o mesmo que aos bravos do Mundial de sub-20..

Deixo-vos a pensar… Espero críticas e mais que isso! Sugestões para invertermos esta situação. Num texto não muito distante direi algumas das minhas sugestões, junto com um apanhado das vossas.

Hugo Pinto

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