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Competitividade - Caso problemático em Coimbra

Hoje venho falar-vos um pouco de um tema que tem de ser considerado problemático e que deve ser resolvido com alguma urgência e refiro-me à falta de competitividade dos escalões de formação no distrito de Coimbra e com certeza noutros distritos, mais particularmente no futebol 7 que são os escalões ao qual estou mais ligado presentemente.

Atualmente, salvo muito raras exceções, a Académica é o clube que domina o futebol 7 em Coimbra e que normalmente é o campeão. Até aqui tudo bem, porque sendo o clube de referência da região tem maiores probabilidades de vencer títulos, no entanto, a forma como os vence é que tem de ser preocupante. 

Exemplificando e olhando apenas ao último ano e à equipa que estou ligado como treinador deixo-vos alguns dados: campeão distrital sem derrotas e sem empates, completaram um escalão (2 anos) sem derrotas e sem empates, na fase final de apuramento de campeão com exceção de um jogo mais equilibrado golearam as restantes equipas (5-0; 11-0; 14-0). Pergunto-vos: quais foram as dificuldades competitivas destes atletas? Qual foi o estímulo competitivo desta equipa? Porque é que isto acontece? Como podemos manter níveis de competitividade altos?
Classificação Final da 1ª Fase do Campeonato Distrital Infantis
Retirado de http://www.zerozero.pt/edition.php?id_edicao=62768

Será na resposta às últimas duas perguntas que aprofundarei o tema da falta de competitividade. 

A primeira razão e que eu considero como mais importante é o estímulo competitivo no processo treino. Os atletas devem ser estimulados a ser competitivos na maioria da unidade de treino, desde o exercício mais simples ao exercício mais complexo, desde um exercício técnico a um exercício físico-motor até um exercício tático-técnico, e mesmo do ponto de vista individual, o atleta/equipa deve ser estimulado a superar as suas marcas (golos, assistências, situações de 1x1, etc). Basicamente é como eu comer chocolate todos os dias, fico viciado e não paro de comer, mesmo tendo um dia em que não gostei tanto do chocolate, mas volto a comer dos que gosto novamente. Com a competitividade é a mesma coisa, se ela está presente em todos os treinos, não vai ser uma competição menos estimulante (jogo) que vai tirar-me o vício de ser competitivo. A equipa que falei anteriormente é um exemplo porque nos torneios contra equipas fora da região e de maior qualidade foi muito bem-sucedida, acredito pela sua qualidade, mas porque manteve sempre níveis de competitividade muito altos em treino.

Outra das razões são os quadros competitivos organizados pela Associação de Futebol de Coimbra e que vão no sentido contrário do aumento da competitividade e também da motivação dos atletas/equipas que mais ganham e que mais perdem. Para vocês compreenderem, o quadro competitivo em Coimbra são duas a três séries nos escalões de Fut11 e 4-5 séries nos escalões de Fut7 com 12-15 equipas por série. Depois disso o primeiro de cada série disputa a fase final, fazendo no máximo 4 jogos na fase final. Ou seja, o maior estímulo competitivo para as melhores equipas é reduzido a 4 jogos e para as outras equipas é nulo. Obviamente que esta organização dos quadros não favorece o aumento da competitividade. A solução passa por 1ª fase com menor número de equipas, e fase final com maior número de equipas comparativamente com o modelo atual, sendo as séries organizadas de acordo com a classificação na 1ªfase, ou seja os primeiros classificados disputam o apuramento de campeão e as restantes equipas são divididas em séries de acordo com a classificação anterior. Com certeza que o nível competitivo e o nível motivacional seriam muito maiores, tanto para as melhores equipas como para as menos aptas.

Outra razão que eu observo, e não quero desvalorizar quem se preocupa verdadeiramente com a formação de futebolistas, é a falta de qualidade no processo treino na região, particularmente nos escalões de base, desde petizes a infantis, que é claramente percetível no nível de aptidão dos pequenos futebolistas e na organização das equipas. Podem dizer, que nós estando num clube onde provavelmente temos os miúdos mais aptos teremos a vida facilitada, mas quando vemos equipas que tem atletas que não controlam o seu próprio corpo quanto mais a bola, quando tens atletas que não cumprem os princípios fundamentais do jogo como por exemplo ter espaço para progredir (princípio ofensivo progressão) e não o fazerem ou simplesmente pontapearem a bola sem nenhum objetivo, quando tens treinadores a obrigarem os seus atletas a recuarem no terreno quando estes queriam pressionar o adversário, alguma coisa não está bem no processo de formação e claramente existem muitos treinadores na região sem perfil e sem conhecimento para treinarem crianças. Por isso, eu defendo curso nível 1 de treinador de futebol apenas direcionado aos escalões de formação de base, mas como esta situação não acontece, os clubes com maior qualidade no processo de formação na região, neste caso a Académica, tem que proporcionar programas de formação de treinadores.

Portanto, se queremos o aumento da competitividade terá de rever-se rapidamente todos estes aspetos acima mencionados porque um bom adversário é sem dúvida um bom mestre da aprendizagem e um bom motivador. 

Termino com uma frase de Cruyff no livro Senda de Campeones:

- “Às crianças temos que as empurrar para que dêem o salto. Um jogador deve jogar onde possa participar de forma competitiva. Deve aprender e competir em cada jogo e em cada treino. Ganhar dez partidas por 10-0 não se aprende nada, por isso, deves aprender competindo com os maiores e também perdendo. O adversário será sempre um grande maestro”.

4 comentários:

  1. Outra ideia de competitividade era as diversas equipas serem obrigadas a terem no máximo DUAS (!!!!) equipas por escalão e não 3 ou 4. Acredito que com este limite os jogadores eram mais bem distribuídos e a competitividade iria aumentar.

    Nem todos podem ser craques, nem todos podem ser Ronaldos mas se há uma/duas/três equipas na região que têm 3/4 equipas por escalão no futebol 7 e roubam os melhores aos clubes mais pequenos como querem que haja competição? É a concentrar os melhores num só clube que a competitividade aumenta? NÃO.

    Fica aqui uma reflexão para que nas Académicas (OAF e SF, principalmente) se reveja o número de miudos que têm e o que desejam para o futebol da sua região.

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    1. Boa noite. Sinceramente aceito que essa poderá ser outra das razões para a falta de competitividade, mas será sempre mais fácil colocar a culpa nos outros do que em nós próprios! Eu acho estranho porque quando fazemos jogos treino com equipas de outros distritos, particularmente Aveiro, jogamos desde o Mealhada até ao Feirense e qualquer uma destas equipas são mais competitivas do que equipas de Coimbra que inclusivamente estiveram na fase final. Por isso como te digo aceito e acho que é uma razão válida, mas temos que olhar muito mesmo às outras razões que se apontaram no texto! Porque em Aveiro há o Feirense ou o Beira-Mar que fazem de Académica e SF e há o Mealhada ou o Fermentelos que fazem de Vigor ou Cernache por exemplo.

      O nosso obrigado pelo teu comentário, espero que continues a acompanhar o blog.

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  2. A meu ver se cada clube só pudesse ter uma equipa inscrita em cada escalão proporcionava maior competitividade. pois muitos jogadores saem de clubes mais pequenos para jogar numa equipa B ou C da académica. de resto concordo com o texto.

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  3. O futebol dos escalões mais pequenos neste momento é um negócio e por isso existem clubes a terem 3 e 4 equipas inscritas. esse sim é um grande problema, porque os clubes mais pequenos deixam de contar com os seus melhores jogadores.

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