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Método analítico vs Método Global

Sendo a variabilidade uma característica inerente ao jogo de futebol, esta deve ser considerada e ser parte integrante do treino. 

Para Garganta (2002), “no método analítico, em que o gesto técnico é privilegiado, (…) a abordagem do jogo é retardada (…), não ocorrendo processos de tomada de decisão (…)”, isto, invariavelmente terá consequências no que se refere à aprendizagem do jogo. Dominar a técnica de forma isolada, não garante, que no jogo formal, onde existem vários constrangimentos, o mesmo obtenha sucesso. 

O método global caracteriza-se pelo aprender jogando. No método global, segundo Lopes (2004) (…) interagem aspectos como a criatividade, a imaginação e o pensamento tático dos jogadores. Este autor define três objetivos principais desse método: 

1. A constante tomada de decisões, desenvolvendo assim a inteligência tática, permitindo solucionar problemas que ocorrem durante o jogo. 

2. Facilitar a compreensão por parte do jogador, da verdadeira estrutura do jogo com fases defensivas e ofensivas que requerem do jogador posturas diferenciadas. 

3. Permite, ainda, que os atletas enfrentem com mais segurança a competição, já que enfrentam a mesma situação no processo de treino.

A possibilidade de um exercício ser “analiticamente global” existe, e deve ser explorada. Pode ser confuso à primeira leitura, contudo e enquanto treinadores de futebol existem inúmeras variáveis que podemos e devemos explorar, tais como o objetivo do exercício e quais as suas condicionantes, nunca perdendo a essência do jogo. A posse de bola não pode ser um objetivo do exercício, mas sim uma consequência do mesmo.
“Treinar o jogo para jogar o treino” é por si só uma expressão que transmite objetivamente a essência do treino. O treino só faz sentido se permitir a aquisição de competências quer do ponto de vista motor quer cognitivo, que permita a resolução de problemas com eficácia aquando do seu surgimento. Os problemas surgem no jogo, e naturalmente que a sua resolução também, então o treino deve estabelecer uma relação direta com o jogo, devendo promover contextos ótimos de aprendizagem que permitam o seu transfer de aplicabilidade. 

Imaginem que o objetivo do treino é o Princípio de Jogo Fundamental (PJF) a progressão, mais especificamente o drible. Todos os exercícios devem ser orientados para este subprincípio, contudo, mais do que o drible propriamente dito, o importante é como, quando e onde é que devo recorrer ao mesmo, isto é, a tomada de decisão em função do momento, do espaço, do posicionamento do adversário e do posicionamento da própria equipa. Assim sendo, só faz sentido treinar o drible, se este for contextualizado com a realidade do jogo. Enquanto treinadores devemos promover o contexto. Por exemplo, num exercício de 3x3 com guarda-redes, onde sempre que há um drible e essa jogada termina com golo, o mesmo vale dois. Desta forma, estamos a valorizar o gesto técnico, promovendo a sua prática, sem descontextualizar o jogo. O nosso feedback será analítico, mas o exercício global, criando assim um exercício “analiticamente global”. 

Em suma:
No método analítico em que o gesto técnico é privilegiado, há desfragmentação do jogo não ocorrendo tomadas de decisão;

Mais do que o gesto técnico propriamente dito, o importante é como, quando e onde é que devo recorrer ao mesmo, isto é, a tomada de decisão em função dos constrangimentos impostos pelo próprio jogo;

O método global caracteriza-se pelo aprender jogando, presença da bola e do adversário(s);

No método global interagem aspectos como a criatividade, a imaginação e o pensamento tático dos jogadores;



Tiago Coelho

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