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Cara ou Coroa


Muitas vezes deparamo-nos com a pergunta “então professor? Se for eu a escolher para que lado começamos a jogar?”. E eu com um ar muito superior digo sempre: “tanto faz! O que conta é a forma como jogamos!” 

No entanto, muitos treinadores têm uma preferência de lado. Uns porque acham que é melhor começar de costas para o sol, outros porque acham que é melhor acabar o jogo de costas para o sol, outros porque é a favor do vento e ainda outros porque é uma superstição e gostam mais de jogar num determinado lado na primeira parte. 

Sempre me achei muito superior a estas questões de ser melhor campo ou bola e qual o melhor lado para começar a jogar, até que me deparei com um jogo decisivo e muito competitivo, daqueles que o mínimo pormenor faz a diferença. Nesse jogo comecei a perder, com uma equipa que prescindia da posse de bola e usava como maior arma as transições. Encontraram-se na situação ideal, a ganhar e sem ter que assumir o jogo. 

E perguntam vocês “e depois? o que é que isso tem a ver com o cara ou coroa?”. Até aqui nada, o problema é que a nossa equipa está habituada a saídas curtas para construir o jogo a partir de trás com alguma segurança e qualidade. Começam os últimos 10 minutos e com eles a tensão a aumentar, o barulho começa a ser cada vez maior atrás da nossa baliza. Pais a gritar e mães a aplaudir. Os miúdos sem saber para onde se virar, começam a sair curto cada vez com menos segurança e com menos frequência. Cada vez que a bola chega perto da nossa baliza é um som ensurdecedor e as pernas dos defesas começam a tremer. 

Escusado será dizer que, com mais ou menos sorte, acabámos por não marcar o golo. 

Se o jogo foi decidido pelo cara ou coroa? Não foi seguramente. Mas as saídas curtas nos últimos 10 minutos da 2ª parte teriam sido bem mais seguras se estivéssemos a jogar do outro lado, porque não teríamos assistência atrás. Possivelmente teríamos criado mais algumas jogadas de perigo. Se seria o suficiente para marcar ninguém sabe, mas num jogo tão dividido um pormenor pode fazer a diferença.


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