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A quantificação de objetivos de jogo. Pensa antes de definir os objetivos a quantificar!


Hoje resolvi escrever sobre uma experiência que tive há pouco tempo quando dirigia um jogo da minha equipa e que eu acho que será importante expor aqui, porque com certeza já aconteceu com muitos de vocês.

Um treinador, seja ele de formação ou de alto rendimento é orientado por um conjunto de ideias ou princípios de jogo definidas por ele ou pelos coordenadores técnicos dos clubes que representam. Esse conjunto de ideias/princípios de jogo deve ser assimilado através do processo de treino e colocado em prática durante a competição.

Neste sentido, a análise de jogo tem sido uma ferramenta importante para perceber se a nossa ideia de jogo está a ser colocada em prática na competição e transmitir aos jogadores, através de dados concretos, se estamos a cumprir ou não com os objetivos definidos para o jogo.



Num dos meus últimos jogos, defini para o ataque dois objetivos de jogo: a criação de linha de passe do jogador sem bola e o aumento do risco no setor ofensivo através de situações de 1x1. Pedi então à minha equipa técnica que contabilizasse o número de situações de finalização sem interrupção da ação (sem o adversário tocar na bola e sem a bola sair do terreno de jogo) e que contabilizasse o número de situações de 1x1 de sucesso e insucesso no setor ofensivo para perceber ao intervalo e no final do jogo se os objetivos foram cumpridos. 

Aconteceu que, qualquer um dos objetivos deixou muito a desejar em termos de eficácia, tanto ao intervalo como no final da partida. 

Posteriormente, ao refletir sobre os dados cheguei a uma conclusão: os dois objetivos no mesmo jogo influenciaram-se negativamente um ao outro. Porque o aumento das situações de 1x1 no setor ofensivo aumentaria o nº de situações de perda de bola, e consequentemente contribuiria para menos finalizações sem interrupção da ação. Por outro lado, o querer que a ação de ataque seja finalizada sem interrupção leva a que os jogadores optem mais pelo passe no setor ofensivo do que pelo drible.

Não tenho dúvidas que a quantificação dos objetivos em jogo é fundamental para a evolução dos nossos princípios de jogo e para poder transmitir informação correta aos jogadores, no entanto devemos definir objetivos de jogo complementares e que não se influenciam de forma negativa. Neste caso exposto, podíamos optar por colocar um na 1ª parte e outro na 2ª parte, ou por exemplo, tendo em conta o que é a nossa ideia de jogo, contabilizar o nº de ações ofensivas sem interrupção até chegar ao ½ campo ofensivo (Qualidade de jogo no ½ campo defensivo) e contabilizar nº de situações de 1x1 de sucesso e insucesso no setor ofensivo (Aumento do risco no setor ofensivo).

Concordam com a quantificação de objetivos em jogo em vez de estatísticas de remates, cantos ou golos? Concordam com as soluções expostas para resolver o problema?   

Cláudio Costa

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